segunda-feira, 4 de março de 2013

140 km/h

Minha mãe diria que eu dramatizo demais, que sou um extremista nas questões da vida.  Pode ser. No entanto, eu não faço para me exibir, como pode parecer. Eu o faço porque realmente sinto.
Ao mesmo tempo de minhas ambições profissionais serem tão grandes - a ponto de qualquer conquista, não sendo o mundo, ser pouco -, as ambições do meu espírito são tão enormes ou possivelmente maiores ainda. O revés é o seguinte: será que é possível ter os dois?
Eu sou muito jovem para ser tão adulto. Agora não era o momento para ter uma carga de trabalho de 12 horas/dia. Era a hora de estar navegando oceanos nunca dantes navegados; desbravando todos os lugares que eu sonhei conhecer enquanto meu espírito ainda é puro; usando o ócio para desenvolver - com toda a minha capacidade mental desperdiçada - os pensamentos que não tenho mais tempo pra pensar; evoluindo minha alma; conhecendo seres diferentes desses rotineiros desprovidos de psique; vivendo paixões. Seria, de fato, um extremismo dizer que já é tarde demais para viver tudo isso. 
Entretanto, o que me aflinge, não é todo esse tempo perdido. O que anda tirando meu sono é: se eu comecei agora, tão cedo, será mesmo que algum dia vou parar? 
A ocidentalidade nos leva a acreditar que o que nós fazemos diariamente é só um estágio para, logo, podermos fazer o que queremos fazer. Só que esse "logo" nunca chega. Estamos procrastinando os nossos sonhos a troco de manter o "sistema" ativo. Correndo sem nunca chegar.
É como olhar, de dentro de um carro, a rodovia passando veloz. A ilusão é pensar que é ela que passa veloz, quando temos a opção de, no lugar de acelerar, andar sobre ela.  A 140 km/h, daqui a poucas horas eu terei vinte anos e em dias eu terei oitenta. 

-Por favor, me deixa descer!
-Se você quiser sair, vai ter que pular, o carro ta sem freio.
-Mas... Se eu pular, eu posso acabar me machucando ou até morrendo.
-Me desculpe. Só andam a pé aqueles dispostos a correr riscos, esses beligerantes chamados "corajosos". São tão idiotas, eles pulam quando é muito mais cômodo ficar dentro do carro.

(Ploft!)


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Agora, tudo o que eu queria era ser um desses caras nessa foto da qual você sente falta. Seus amigos. Eu queria ser seu melhor amigo, o maior confidente, de novo. Será que isso é muito pra pedir? Bem, talvez seja.
Isso tudo faz com que eu me pergunte se a máxima "nunca é tarde demais" é só mais uma falácia piegas, ou realmente funciona, na prática.

sábado, 28 de julho de 2012

you're too hard to stay away
too dangerous to stay close

sábado, 21 de julho de 2012

o asco da partida

Vir aqui não é muito saudável, já percebi isso. Mas, ainda assim, é irresistível ver meus amigos, as pessoas que eu amo, esse apartamento, esse quarto. Cada vez que eu vinha eu ia levando um pouco das coisas que ficaram aqui, bem devagar, pra ter algo pra levar sempre. Só que, parece ter chegado o dia no qual não há mais nada para levar, acabaram-se os livros, as roupas, as fotos. Até eles estão indo embora, sobram poucos aqui. Eu tenho medo é de chegar o dia em que eu não tiver nem amor pra levar embora comigo, espero que não chegue. Bom, só sei que agora, é horrível essa sensação de estar me levando embora definitivamente. É claro que eu vou voltar, só que as coisas não serão mais tão minhas, e nem eu serei tão daqui, até esse apartamento estão vendendo. Vida, vida, vida.

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Someday - The Strokes

In many ways, they'll miss the good old days
Someday, someday
Yeah, it hurts to say, but I want you to stay
Sometimes, sometimes

When we was young, oh man, did we have fun
Always, always
Promises, they break before they're made
Sometimes, sometimes

Oh, my ex says I'm lacking in depth
I will do my best
You say you wanna stay by my side
Darlin', your head's not right
See, alone we stand, together we fall apart
Yeah, I think I'll be alright
I'm working so I won't have to try so hard
Tables, they turn sometimes



quarta-feira, 27 de junho de 2012

"Olha a gente entrando nesse elevador, igualzinho há quatro anos atrás!"

A cena pode ser semelhante, mas parodiando Heráclito, as mesmas pessoas não entram no mesmo elevador, pois as pessoas nunca são as mesmas e nem o elevador é o mesmo. Nada por aqui está igual, nem eu, nem vocês, nem o meu quarto é o mesmo. A sensação não é a mesma, se é melhor ou pior, não sei dizer com certeza, não me parece melhor, todavia. A gente não ri mais com a mesma naturalidade, estamos cheios de partes quebradas dentro de nós, entre nós.  Há segredos não mais compartilhados.
Às vezes, sinto como se as memórias do passado fossem as únicas coisas nos segurando juntos, embora isso me pareça um pouco radical. (Vocês não leem o que eu escrevo, anyways)
A amizade continua ai, porém, cada vez mais, parece ser um engano pensar que o tempo torna as coisas melhores. Se sara as feridas, é para abrir outras maiores. We're broken.

terça-feira, 12 de junho de 2012

When I first saw you, I liked you, not because you were beautiful (believe me, you are), but because you seemed beautiful, inside. I'm fully attracted to you, with my heart and soul, and it is a pity that you see me as a friend and nothing more, or maybe, I'm just not enough, for such spotlighted eyes and such a brilliant soul. Belle.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Têm essas coisas que eu sinto e penso, mas não falo, por medo de trair, contradizer, o "eu" que criei, mas na verdade, já fui, não sou mais, ou só quis ser. Me descrevo o maior dos racionais, quando sou o maior dos sentimentais. Sou um hipócrita criticando a hipocrisia. Em minha defesa, sou o menor dos hipócritas, o que ainda me confere o direito de apontar o dedo e dizer: hipócrita! Apesar de não querer ser, e ainda, ás vezes, subir ao topo do egocentrismo achando que não sou, eu sou um mero mortal.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Enigma da Esfinge

Eei, você ai! É, tu mermo, moça bonita que roubou, devolveu e depois roubou de novo meu coração.
Me diz como é que faz pra ser assim, que esse modelo seu eu quero copiar e mandar patentear.  Bonita, bonita demais. Como tu consegue, é um mistério, mesmo quando não tem mais nada pra dar, de algum jeito, ainda tira amor, não sei da onde, pra me dar. O que é que eu tenho pra merecer isso? O que é que eu tenho pra merecer você? Mereço? São  algumas de minhas dúvidas. Então, me deparando com essas questões, eu tento dar pra ti o que mereces, mas, é um tropeço atrás do outro nessa missão. E minha cabeça? Só atrapalha. Quem dera eu saber decifrar as mensagens criptografadas do meu coração. Ai que eu descobri  que se eu não sei, você sabe. Você sabe que eu sei que você sabe compreender que eu estou falando uma coisa, porém, estou sentindo o contrário. E você sabe muito mais, você sabe quando o meu sorriso é só disfarce, só você sabe. Eu sou a esfinge que você conseguiu passar pra trás, decifrou-me, contudo, eu nunca te devoraria.
Mesmo com todos os paradoxos que compõem esse "nós", mesmo com toda a minha confusão, que no final das contas, é quase tudo o que eu tenho pra oferecer, há amor, sempre, amor de amigo, amor de amor, amor de raiva, amor de tudo. Nós podemos nunca mais estar juntos, nós podemos amar mais outros que virão no futuro, afinal, presos nós nunca estivemos, mas é amor o que sempre seremos, um que nem você, nem eu, nem ninguém, nunca conseguirá definir, não há palavra no dicionário, e é por isso que uso essa palavra de vago sentido. 
Hoje eu te ofereço esses simples dizeres, meu bem, minha amiga. Blue Valentine.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

regressos

Posso até reaparecer, tê-los por um ou dois dias, algumas horas, amargas e doces. Contudo, a verdade é que eu não sou mais parte do todo, tento disfarçar e eles mais ainda, todavia, temo chegar a hora em que se tornará algo forçado. E pior ainda, está chegando o dia em que nenhum de nós estará lá, sendo assim, os encontros em que todos estiverem serão uma possibilidade utópica.
Nos dois lugares que estive, eu enterrei caixas cheias de lembranças, no primeiro, literalmente, no segundo, metaforicamente. De um modo ou de outro, aparentemente nós nunca poderemos estar todos juntos para resgatá-las. Bem, tudo dentro delas acaba sendo corroído pelo tempo, pela chuva e pelo vento, então, se algum dia decidirmos desenterrá-las, possivelmente não estarão mais lá. Voltar no primeiro, é, sinceramente, como visitar um cemitério. Regressar ao segundo está longe de ser assim, e eu espero que desse modo fique. Entrementes, refletir me leva a notar que chegou o momento de desencalacrar-me dos tempos idos. Meu presente é aqui, meu futuro provavelmente será.

terça-feira, 27 de março de 2012

hey rock'n'roll friend i used to have


É tão estranho. Alguém com a qual você costumava ter tantas coisas em comum, compartilhar tantos sentimentos, meio que um apoio diferente do seu grupo de amigos usual. Algumas amizades são desgastadas pela convivência - ou pela falta desta. Ou, ainda, talvez, nunca tenham sido tudo aquilo que se imaginava. Essas amizades perdidas pelo caminho, são como o tempo, parecem não voltar mais, nunca mais. É que são tantas pequenas decepções, pensamentos que não deveriam ter se transformado em palavras, um "vai se fuder então!" que acabou saindo em  um momento boçal, por exemplo. Então, ficam tolamente um tempo sem se falar, depois vão voltando aos poucos, mas já não é mais a mesma coisa, até que, hoje, não conseguem manter uma conversa por cinco minutos e acabam arrumando uma desculpa pra sair dela antes que se transforme em um silêncio embaraçoso - that awkward moment. Todavia, olhar para aquela pessoa, dá uma sensação saudosa, e apesar de tudo, nunca ruim. É como olhar para um objeto belo que fazia parte da sua mobília e quebrou, sumiu, nunca se sabe... Aos poucos, passa a considerar meus amigos "mente pequena" demais, e era assim que eu supostamente estava me tornando; começa a pensar e insinuar que o que eu falo, faço e digo que gosto é pelo simples motivo de eu ser um "poser"; na verdade eu não gosto de boa música, bons filmes, bons livros, não acredito no que sai da minha boca e só quero pagar de cult; eu paro de segui-la no Twitter e assim vai. Dilemas da vida moderna. O pior é que tem tanta coisa que eu queria  contar, tanta gente pra ridicularizarmos juntos, e pior ainda, agora nós nos ridicularizamos.

Quiçá, tudo o que nós precisamos é de uma boa cerveja - como nos velhos tempos -, uns bons xingamentos ditos cara a cara; uma caçoada porquê eu não entendo nada de futebol, e, da minha parte, dizer que ela é uma magra esquelética que vai ser carregada pelo vento; um abraço no final; e possivelmente estaremos bem.

Caso isso não ocorra, tenho certeza que só desejamos um ao outro o melhor da vida.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Escrevi esse texto há cerca de um mês, tava me sentindo que nem lixo, contudo, as coisas mudaram pra caramba, minha visão se transformou, agora eu vejo tudo diferente, meus desejos mudaram e não há arrependimentos. Mas, foi um período longo e marcante, merece ser compartilhado. (27/03/2012)

Posso dizer que sou racional e tudo, mas eu idealizo demais. Isso que é foda, eu passei três anos da minha vida esperando pelo dia que iam jogar tinta na minha cara, raspar minha cabeça e iria ser o dia mais feliz da minha vida, "uma emoção singular". Eu queria estar orgulhoso de mim, por ter conquistado alguma coisa, e eu realmente queria que as pessoas me olhassem e pensassem: porra, que cara foda. Mas, não. Eu nunca conquistei nada de realmente importante, não algo para o qual eu tenha me esforçado. Eu to em uma boa universidade, eu sei disso, mas entrar lá foi tão fácil como dar um passo. Eu dispensei Unesp, tipo, quem faz isso? Será que eu fiz o certo? Vai ser o ''e se'' eterno da minha vida. Eu fico vendo todos ao meu redor comemorando sua aprovação, realmente felizes, ou outros lutando para serem aprovados. E eu? Eu já to na faculdade, a hora de ser feliz já chegou, mas felicidade, cadê você?? Meus sentimentos vão de tristeza a apatia, no máximo. Quando eu não estou me lamentando, eu simplesmente não estou sentindo nada, mesmo que a beleza esteja explodindo à minha volta. Autopiedade, isso eu sinto bastante. 
O fato é, eu e todo o resto me superestimaram demais, nós esperávamos de mim mais do que eu teria de força ou capacidade, e é isso ai, ta na hora de encarar minha mediocridade. Capacidade? Talvez eu até tenha, mas falta grana e coragem pra encarar um cursinho. 
Acho que me proporcionaram por muito tempo a vida em um mundo que não era o meu, e agora, esse tempo acabou e eu estou tendo que aprender a andar sozinho nesse outro mundo que eu não conheço. Se essa vida não melhorar, eu vou querer muito voltar para as minhas equações de física e simples preocupações com a prova do final de semana, e assim, no caminho pra ficar preso ao passado.
Eu penso demais e não fico contente com pouco. Hemingway disse que pessoas inteligentes raramente são felizes. Eu abro mão da minha inteligência, mas me dá um pouco de alegria. Abro mão, será?
Minha mãe diz que eu sou ateu por conveniência. De fato, não ir a Igreja aos domingos e não me sentir culpado por isso é muito conveniente. Porém, acreditar que as coisas vão melhorar, ter alguém para pedir e depositar suas esperanças e ter fé que tudo vai dar certo no final, me parece bem mais conveniente. Bem, esperança é uma coisa que ta em falta na minha prateleira.
Eu sou, hoje, um quarto quase vazio.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Felicidade não existe!

Sempre me perguntei se era feliz. Ultimamente, tenho percebido que não, não sou. Contudo, por incrível que pareça, isso não é ruim. Percebi que a felicidade não é um status, ela é um momento, um estado instantâneo, aquele no qual a alegria atinge seu ápice. Já, momentos felizes, tive vários.
Essa é grande questão da humanidade no século XXI. Nós estamos sempre procurando, com nossas ingênuas ações, atingir um estado permanente de felicidade que é meramente ideal e absurdo. Nesse meio tempo, perde-mo-nos nessa busca e deixamos fugir a capacidade de enxergar o que é singelo, simplesmente porque não é espetacular. A incapacidade de estar satisfeito, tornou-nos boçais, desprovidos de sensibilidade.
Por outro lado, muitos vivem vidas vazias e criam todo um teatro para fingir felicidade, uma espécie de camuflagem contra si próprio. Bem, muitos foi um eufemismo.
A felicidade não é, ela está. Assim sendo, nunca será de ninguém, mas sempre estará com alguém.

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Só enxergo o que eu não posso ter, mas se qualquer dia eu conseguir,
Vai perder a cor, desaparecer, como tudo que me fez feliz
A beleza explode ao meu redor, um milagre novo por segundo,
Facas e maçãs, luzes sobre nós e os detalhes que revelam o mundo

Mas tudo passa depressa
Só o que é novo interessa
40 dias no espaço, em algum planeta deserto,
Talvez de lá eu consiga voltar a ver o que eu não vejo de perto.

Leoni - "40 Dias no Espaço"

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Há muito quero escrever sobre o que se passa. Eu já o teria feito, se eu não travasse diante das palavras em todas as minhas falhas tentativas. Por isso, não vou me preocupar em ser claro, nem belo ou poético, vou simplesmente despejar as palavras.
Foram três anos intensos, bem no início, eu desejei que passasse rápido. Passou, e agora que acabou, eu queria que meu desejo não fosse realizado, percebi que há mais na vida do que aumentar a velocidade. Conheci aqui nesse lugar, todo tipo de gente, fiz amizades que já são memória eterna e criei laços, que mesmo sendo singelos vão fazer falta. É desesperador pensar em ver pela última vez certos rostos, ouvir vozes, querendo ou não, foram essas pessoas que compuseram a minha rotina por um bom tempo.
Será que eu vou voltar? Quantos vão seguir comigo? Vai chegar um certo momento em que há apenas consideração, não mais amizade? Eu vou mesmo lembrar? E eles, vão? Eterno? Eu nem sei o que é isso.
Bem, não adianta ficar preso ao passado, todos devemos estar olhando pra frente. Obrigado pelas memórias.

domingo, 21 de agosto de 2011

Amigos não são as pessoas mais agradáveis, e nem são os que ficam te paparicando. Amigos são aqueles que sabem ser duros, os que te dizem a verdade, e, principalmente, tem a maturidade para perceber seus erros quando você os mostra a eles, e ainda, a serenidade para te perdoar quando você é imaturo, ou quando você diz aquela grande merda que eles não mereciam escutar. São feitos de coisas concretas, não apenas palavras sem lastro. Eles raramente dizem 'eu amo você', porém, reconhecemos um amigo quando nós simplesmente sabemos. São muito cansativos, no entanto, só a possibilidade de perdê-los já me estremesse os ossos. Mesmo estando distante, os amigos sabem quando você só está tendo uma crise de egocentrismo - o melhor: eles entendem, apesar de te repreenderem (com razão) - ou quando você realmente precisa deles, e nesse caso, eles vão parar tudo para te ouvir, sem dar muitos conselhos, mas um abraço, um que passará segurança. Demorei muito para perceber que os amigos são poucos, e que você não precisa sair com eles todo final de semana, mas será ótimo quando o fizerem.
Falar de amizade é bem senso-comum, mas algumas coisas precisam ser ditas, mesmo que sejam piegas ou clichê. 
Eu tenho amigos, uns poucos e bons, e eles com certeza não são as pessoas mais agradáveis, porém são brilhantes em sua singularidade, incomparáveis, e mais importante: reais. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Individuais

Nós, humanos, fazemos amizades, criamos laços e nos comovemos com problemas e tragédias alheias, porém, ainda assim, somos seres individuais, algo que não podemos mudar. Apesar de nos sentirmos mal pelas perdas e tristezas nas vidas dos outros, é algo que só passa pela nossa mente, e, no final das contas, o problema não é nosso, nós não podemos sentir a dor que não nos pertence. Analisando, é um pouco abominável. Pessoas estão morrendo em hospitais, e apesar de você até se preocupar por um tempo, suas preocupações próprias sempre prevalecem, não importa se são sobre ir ou não ao shopping amanhã. Não precisamos nos sentir culpados, é a nossa natureza falando mais alto. Além disso, o mundo não para quando o mundo de apenas alguns está parado.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

impassível, apático, uma vida sem gosto, ou com gosto de azedo

Sabe quando você não se sente feliz, e nem vê nenhuma perspectiva de mudança aparente? Pois é.
Nem sei explicar, ou sei, não sei, vai saber... Parece que quando tudo deveria estar perfeitamente organizado na minha cabeça, na verdade está um perfeito descompasso. Quando deveríamos estar mais unidos do que nunca, estamos mais separados do que já algum dia estivemos. Isso me faz pensar, que nada que eu fiz até hoje valeu a pena. Sinto que eu andei 17 anos por esse mundo, e foi/tem sido em vão, aliás, se ainda eu tivesse andado, fiquei parado. Esse não é o maior problema, o pior é pensar que eu posso continuar imóvel. Me sinto um espectador da vida, de uma que nem é assim tão interessante. Estou com medo. Tenho medo de - novamente - ir embora e de novo me despedir, e, paradoxalmente, ao mesmo tempo sinto medo de não ir embora, o que significa que eu falhei. 

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É simples a ideia de deixar a tristeza, nostalgia e todas essas sensações que me travam, para trás. Porém, nem toda ideia simples pode facilmente deixar de ser abstrata para tornar-se concreta. O mesmo acontece com pensar em recomeçar, dessa vez sendo um protagonista. Coitado de mim, confesso que me superestimo, me vejo sendo muito diferente de todo o resto, quando na verdade, sou tão comum como qualquer outro, talvez mais comum que a maioria, e até mais apático, vivendo impassível em um mundo piegas.
Isso pode parecer só 'poetic bullshit', e nem isso é, tire a palavra 'poetic' e teremos o que realmente é.

domingo, 20 de março de 2011

saudade diferente

Posso, facilmente, confundir atração com amor, ou melhor, paixão. Sei que nesse momento estou imutavelmente atraído. Eu não quero estar de volta, porém, estou a ponto de querer, só para poder ter de novo seu corpo junto a mim, seus lábios colados aos meus - your body is a wonderland. Felizmente, ou infelizmente, meu imutável costuma ser bem mutável.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sadness is my best friend tonight

E quem foi que disse que com o passar do tempo, as coisas se vão? A saudade não é abafada pelo vento que voa, pelo sol que amanhece e entardece ou pela mudança das estações, e nem é arrastada pela chuva que escorre na minha janela.
A tristeza é varrida para de baixo do tapete, mas todos nós sabemos que ela continua lá, escondida, e ela não é água que evapora, como o pó, ela continua entre nós. E quando um vento mais forte agita as cortinas, os tapetes e sopra a antiga mobília, o pó levanta para o ar, e é impossível que ele não nos contamine o pulmão e se propague, infecciosamente, pelo corpo inteiro. Em certo momento ele é expelido de nosso corpo, volta para seu  esconderijo usual, porém, quando o vento novamente soprar, tudo se repete. A luta entre os opostos, tristeza e felicidade é um círculo vicioso, não acaba. No momento de transição entre os opostos - o mais duradouro - nos acomodamos, beiramos a apatia.
Estamos a todo tempo implorando por verdade e sinceridade, está ai, uma verdade indubitável, nos acomodamos entre o triste e o feliz. A verdade é agradável? Nem sempre.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

vai lá vô

Apesar dos apesares, que são muitos, você vai fazer falta. Você tinha essa incrível capacidade de me deixar puto, realmente irado, e eu digo incrível pois nem todo mundo consegue fazer isso comigo. Acho que eu ficava assim tão bravo porque eu normalmente retruco com as pessoas em geral, mas você era diferente, tinha todo esse discurso sobre respeitar os mais velhos e te chamar de "senhor", e no final eu acabava dizendo: ta bom vô, o senhor ta certo - o que me deixava muito aborrecido. Agora que você se foi, eu nem consigo te achar assim tão malvado. Seu sacana!
Eu lembro que quando você ficava bem doente, vinha com esse papo de que era tão duro assim comigo porque não queria que eu me tornasse um pamonha. Ai vô, eu nunca serei um pamonha, pode ficar tranquilo. Mas, mesmo assim, obrigado por se preocupar. Ser durão sempre foi uma fachada, no fundo você é uma manteiga derretida, todo mundo sabe que você chorava escondido no Natal quando tava todo mundo aqui reunido, e todo mundo sabe que você teve muito orgulho de nós, e mesmo não sabendo demonstrar, amava muito todos nós. Não é porque você morreu que eu vou sair falando que era a melhor pessoa do mundo, no entanto, você foi um bom homem.
Há pouquíssimo tempo que você se foi, e já é difícil andar por essa casa e não te ver em todos os lugares. E é estranho não estar o tempo todo preocupado com o seu julgamento, acredite ou não, eu estava. Era um orgulho pra mim quando você estava orgulhoso de mim, quando você pedia uma cópia do meu boletim e etc...
Foi barra ver você naquele caixão, não por estar morto, para mim, você estava só dormindo, porém eu sabia que era a última vez que eu veria seu rosto, isso é difícil. E também é difícil falar de você no pretérito. Pra falar a verdade, nesse momento, tudo por aqui está difícil.
Você pode ter deixado todo tipo de herança para todo mundo, mas para mim você deixou a mais importante e algo que eu vou levar para o resto da minha vida, o seu nome. Agora, eu não sou mais o 'xará', eu sou o Oswaldo, o único que ficou.
Até qualquer dia vôzão, um abraço forte, e descansa em paz, aonde quer que esteja. Por aqui, nossa vida continua, levando você no coração.

ps: não se preocupa com a vó, eu vou ficar aqui com ela e vou cuidar dela.

domingo, 16 de janeiro de 2011

novos dias

"O sol se põe se vai

E após se pôr

O sol renasce no Japão"

Amanhã é um novo dia, e ás vezes, nós achamos que sabemos tudo sobre ele. Bem, nós não sabemos nada. Angustiante? Muito! 
Quando hoje é um dia triste, esperamos que amanhã seja, pelo menos, melhor. E quando hoje é um bom dia, esperamos que o próximo seja tão bom quanto. Porém, a verdade é que só podemos esperar. 
Cada nascer do sol, significa uma nova batalha, e por mais que a vida seja o maior de todos os presentes, ela não é fácil, e apesar de demorarmos nove meses para adentrar nesse mundo, podemos sair dele em um piscar de olhos.  
Nós humanos costumamos nos superestimar demais, quando na verdade somos apenas simples seres que não sabem de nada e que não tem controle algum sobre o que nos aguarda.
É fácil dizer "bola pra frente", ouvir, nem tanto, porém, necessário. Superar e aceitar perdas irreversíveis como a morte, são os desafios que temos que enfrentar. Em algum momento nós superamos, a vida sempre vai continuar e o mundo, cruelmente, vai continuar girando . Já aceitar, é complicado. "Era pra ser." Isso não existe, é o tipo de coisa que não dá pra aceitar, no entanto, ainda assim, a vida continua. Agora, o que podemos e devemos aceitar é: Nós nunca vamos mudar o que já foi, o leite que já foi derramado.
Hoje é um dia de luto, mas amanhã é um novo dia. Desse dia que vem, eu espero o melhor, eu só espero. 

É preciso realmente viver, para se estar vivo. Carpe diem.